A prefeitura de São Paulo divulgou a estimativa de público do primeiro dia de Carnaval na capital paulistana: 1,65 milhão de pessoas participaram dos desfiles dos blocose assistiram os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo, no Anhembi, neste sábado (10). Essa informação é a soma dos números dos agentes da Guarda Civil Metropolitana, da Companhia de Engenharia de Tráfego, dos responsáveis pelos blocos e produtores da comissão do Carnaval. Balanço de serviços Equipes de saúde realizaram 163 atendimentos no Sambódromo, sendo 120 pelo serviço contratado e 43 pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Já no Carnaval de rua, a empresa contratada realizou 284 atendimentos. O Samu não foi acionado para atendimento. Confira a cobertura do Carnaval 2018
Após os desfiles dos blocos e das escolas de samba, as equipes de limpeza urbana recolheram 351 toneladas de lixo. A ação nas ruas e no Sambódromo contou com a participação de 1.655 profissionais. As equipes de abordagem da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) identificaram 148 situações de trabalho infantil e recebeu três denúncias. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) reforçou a segurança durante os desfiles dos blocos. O efetivo de 300 guardas realizou a apreensão de 1.031 itens que estavam sendo vendidos no comércio irregular. No Anhembi, 215 guardas auxiliaram na apreensão de 10 carrinhos de vendedores irregulares. Somente nas regiões da Sé, Vila Mariana e Pinheiros, onde os maiores desfiles se concentraram, fiscais emitiram cerca de 105 notificações de multa com base no Decreto 57.983, que visa conscientizar a população a não urinar nas ruas e vias da capital.
Da Redação Estudantes selecionados dos ensinos fundamental e médio vão representar o Brasil em eventos internacionais
As inscrições para a 21ª OBA (Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica) já estão abertas. A competição é aplicada em 13 mil escolas para alunos dos ensinos fundamental e médio. Os participantes da olimpíada recebem certificado e concorrem a 40 mil medalhas. Primeira edição de 2018 do Sisu tem mais de 2,1 milhões de inscritos As escolas interessadas em participar da competição podem se inscrever até 18 de março no site oficial da olimpíada. As instituições de ensino que já participaram da edição passada da competição não precisam realizar um novo cadastro. A competição será marcada para o dia 18 de maio e selecionará os representantes do Brasil na Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica e na Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica. No mesmo dia do torneio, ocorrerá a Mostra Brasileira de Foguetes. As provas estão divididas em quatro níveis: três para os alunos do ensino fundamental e um para os do ensino médio. A avaliação tem dez perguntas em cada etapa: três de astronáutica e sete de astronomia. A maioria delas, porém, exige apenas raciocínio lógico. As medalhas são distribuídas de acordo com a classificação em cada um dos níveis. Cerca de 60 alunos serão selecionados para participar da Jornada Espacial. Serão pré-selecionados somente alunos do ensino médio, de qualquer ano/série, com as melhores notas de Astronáutica e que ainda não tenham participado da jornada. Não há taxa de inscrição para escolas ou alunos participarem da OBA. Jornal da Record mostra a desigualdade na educação entre as regiões Sudeste e Nordeste
Mostra de foguetes Também está com inscrições abertas a Mostra Brasileira de Foguetes, uma olimpíada experimental, que consiste em construir e lançar, obliquamente, foguetes, a partir de uma base, o mais distante possível. Para participar da mostra, foguetes e bases de lançamentos devem ser construídos por alunos individualmente ou em equipes de até três componentes. Em 2017, o evento contou com a participação de 94 mil alunos. O evento avalia a capacidade dos estudantes de construir e lançar, o mais longe possível, foguetes feitos de garrafa PET, de tubo de papel ou de canudo de refrigerante. A mostra também é voltada para alunos dos ensinos fundamental e médio de escolas públicas e particulares de todas as regiões do país. Segundo o regulamento, jovens que concluíram o ensino médio podem participar, desde que representando a instituição na qual se formaram, com a concordância da instituição. O desafio acontece dentro da própria escola e tem quatro níveis. A novidade deste ano é que professores também poderão construir e lançar foguete. Alunos ou equipes dos ensinos médio ou superior que lançarem seus foguetes a mais de 100 metros de distância serão convidados para participar da Jornada de Foguetes. O evento ocorre na cidade de Barra do Piraí, Rio de Janeiro. A data ainda não está definida, mas segundo a organização, deve ser entre outubro e novembro deste ano. A olimpíada e a mostra são eventos abertos à participação de escolas públicas ou privadas, urbanas ou rurais, sem exigência de número mínimo ou máximo de alunos. Os eventos são coordenados por uma comissão formada por membros da SAB (Sociedade Astronômica Brasileira) e da AEB (Agência Espacial Brasileira).
As façanhas do Mestre Juarez Anunciação em 2018 ! O mestre imortal
O Casarão Histórico do Hospital das Clinicas de Alagoinhas BA, localizado na praça Rui Barbosa, no centro da cidade, recebeu uma obra exclusiva do desenhista, escultor , restaurador , mestre em desenhos Juarez Anunciação.
Vista da Obra do mestre Juarez Anunciação no Hospital das Clinica ( HCA)
Os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro começam na noite deste domingo (11). Sete escolas devem passar pelo sambódromo da Marquês de Sapucaí nesta primeira noite. Mocidade Independente de Padre Miguel, atual campeã, fecha a noite. Escola da zona oeste, a Mocidade tenta o 7º título do Grupo Especial. No ano passado, foi campeã junto com a Portela, depois de entrar com recurso por possíveis erros de um dos julgadores (a escola havia ficado em segundo por um décimo). A escola vai para avenida com o enredo "Namastê… A estrela que habita em mim saúda a que existe em você". Depois de oito na Série A (correspondente à segunda divisão), a Império Serrano abre os desfiles da primeira noite. Com nove títulos da elite do Carnaval, a escola de Madureira (zona norte do Rio) vai para avenida com o enredo "O Império do Samba na Rota da China". A São Clemente vai ser a segunda escola a entrar na Marquês de Sapucaí, com enredo “Academicamente Popular”. A escola da Cidade Nova (região central) ficou na 9ª colocação no carnaval do ano passado. Com enredo "Corra que o futuro vem aí", a Unidos de Vila Isabel é a terceira escola a desfilar. A escola da zona norte é tricampeã do Carnaval do Rio de Janeiro — sendo a última vez em 2013 — e busca melhorar o desempenho em relação ao ano passado, quando ficou em 10º lugar.
Um ano após graves acidentes e ficar na última colocação do Grupo Especial, a Paraíso de Tuiuti vai ser a quarta a passar pelo sambódromo, durante a madrugada de segunda-feira (12). A escola se manteve no grupo de elite a decisão da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro) que decidiu não rebaixar nenhuma escola depois dos acidentes no Carnaval de 2017. O enredo da escola é "Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?". Na sequência vem a Acadêmicos da Grande Rio, com o enredo "Vai para o trono ou não vai?". A escola de Duque de Caxias (interior do Rio de Janeiro) ficou na 5ª colocação no Carnaval de 2017 e busca o primeiro título do Grupo Especial em seus 29 anos de existência. A segunda maior vencedora do Carnaval do Rio de Janeiro e uma das mais tradicionais escolas de samba, a Estação Primeira de Mangueira será a penúltima a desfilar nesta primeira noite. A escola vai em busca do 20º título com o enredo “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco”. No ano passado, a Mangueira terminou na 4ª colocação. Leia mais notícias do Carnaval 2018
Denis Kitchen foi um dos convidados especiais do Amadora BD este ano, como organizador de uma exposição para celebrar o 100.º aniversário de Will Eisner. Kitchen foi um dos primeiros editores a trazer um espírito empresarial para a publicação de banda desenhada alternativa nos Estados Unidos, fundando a Kitchen Sink Press e redescobrindo Will Eisner (ou, como ele diz, foi Eisner que o descobriu a ele). Foi também um defensor dos direitos dos autores e dos vendedores, tendo estabelecido o Comic Book Legal Defense Fund, e ajudou a preservar muitas das grandes obras dos anos 40 para serem lidos por novas gerações. Não me foi possível estar presente na conferência, mas aproveitei para lhe fazer uma entrevista.
Versão da entrevista no YouTube
Entrou para a indústria ao mesmo tempo que a cena alternativa e independente estava a começar. Na época, já sabia que queria trabalhar em banda desenhada, e tentou trabalhou para as editoras principais ou nas tiras de jornal?
Eu sempre soube que queria trabalhar em banda desenhada, mas a Guerra do Vietname começou quando eu estava na universidade, e eu fiquei radicalizado e juntei-me ao movimento anti-guerra. A única maneira que me podia expressar como cartunista era através da imprensa alternativa. Foi um movimento que surgiu por toda a América, agora chamamos-lhe underground, mas na altura era só uma maneira de expressarmos a nossa insatisfação com muitas coisas na cultura americana, principalmente a Guerra do Vietname, com a qual estávamos muito zangados. Mas também falávamos de outras coisas, legalização da marijuana, o movimento gay, o movimento feminista, e os direitos civis. Havia muitas coisas a acontecer, era uma época emotiva.
A banda desenhada tornou-se um meio de expressão sem censura para nós. A banda desenhada vendida nas bancas tinha no canto o selo da Comics Code Authority, as editoras censuravam-se a elas próprias, e eu vi, quando era jovem, que as histórias com que eu tinha crescido tinham mudado, e não para melhor. Eu gostava das histórias estranhas e assustadoras, comics pré-Code, como lhes chamamos agora. Então, quando tivemos hipótese de publicar, não quisemos fazer parte disso. Não vendíamos os nossos livros nas bancas, vendíamos nas head shops, onde os hippies compravam mortalhas, cachimbos de água, pósteres psicadélicos e outras coisas do género. Assim, pudemos expressar-nos sem restrições, o que fizemos. Quando olho para trás, admito que tivemos alguns excessos, mas foi um período muito libertador, e eu fui um sortudo por ter feito parte dessa geração. Por isso nunca achei que ia trabalhar para as grandes editoras, embora tenha trabalhado brevemente para o Stan Lee.
…Comix Book, eu ia perguntar sobre isso. Mas vocês tinham algumas limitações, certo?
Tivemos algumas limitações, obviamente, mas o Stan deu-nos uma quantidade impressionante de liberdade, foi justo connosco. Por acaso, eu tinha-lhe dito que a única maneira de eu e os meus amigos aceitarmos trabalhar para ele era mantermos os direitos autorais e ficarmos com a nossa arte original. Era o tipo de coisa que é normal na BD alternativa, mas a Marvel não estava habituada. Ele aceitou, mas o problema foi que os artistas regulares da Marvel reclamaram que ele estava a dar tratamento especial aos hippies e não a eles. Tornou-se difícil para ele acomodar toda a gente, e o mais fácil foi cancelar a nossa revista, apesar de eu achar que estava a vender bem. Foi um problema político para ele, mas ele tratou-me bem e eu não tenho problemas com o Stan Lee. Ele foi sempre um cavalheiro, e cumpriu o prometido.
Os artistas como o Spiegelman ou o Howard Cruse tiveram algum problema por serem publicados pela Marvel, mesmo com a revista a não ter a marca deles?
A princípio, o Spiegelman não teve um problema, mas depois desistiu e foi começar a sua própria revista, chamada Arcade. Mas o Howard Cruse e muitos dos outros estavam contentes por receberem um cheque da Marvel, porque eles podiam pagar melhor. Por isso, salvou-nos numa altura em que o mercado independente estava atulhado e quando o Supremo Tribunal mudou a definição de obscenidade, em que entregou esse poder às autoridades locais.
Quanto é que vocês aproveitaram as lojas especializadas em banda desenhada para poderem distribuir o vosso material?
Eu contava muito com elas. As head shops foram obrigadas a fechar por motivos políticos, houve uma reacção popular contra as drogas, então as lojas de BD chegaram mesmo na altura certa. Eu consegui fazer uma mudança suave, e então aproveitei para fazer livros de banda desenhada clássica, para republicar material do Will Eisner, Milton Caniff, Alex Raymond e todos os grandes do passado.
Além do Eisner, chegou a conhecer alguns dos outros artistas pessoalmente?
Sim, conheci a maior parte deles. O único que queria mesmo conhecer pessoalmente mas nunca consegui foi o Al Capp. Mas falei muito com ele ao telefone, tal como o Harvey Kurtzman e o Will Eisner, com quem eu passei mais tempo. Foi excelente, eles eram os meus heróis. Fui corajoso o suficiente para os contactar e começar a trabalhar como editor deles, mas depois tornaram-se meus amigos para toda a vida. Por isso, fiquei contente por não ser introvertido, não se pode ser introvertido neste negócio.
A cena underground era feita por pessoas que essencialmente publicavam o seu próprio material, mas quando criou a Kitchen Sink, trouxe alguma ordem ao caos. Isso tornou a vida mais fácil para os cartunistas serem publicados, ou eles ficaram com medo de que ia ficar com os direitos deles?
Bem, não, o que ajudou foi eu também ser um artista, e eles conheciam-me e sabiam que eu trato toda a gente como quero ser tratado. Eles compreendiam que o sistema que tínhamos era justo, eles ficavam com os direitos e com a arte. Se houvesse hipótese de publicar uma história no estrangeiro, eles eram compensados financeiramente. Na Marvel e DC, só tinham o pagamento por página, sem direitos de autor nem compensação financeira. O nosso sistema era mais apelativo, não foi só uma revolução artística ou cultural, foi também uma revolução económica, porque nós defendíamos os direitos dos artistas. Entretanto, a indústria mudou e os artistas acham normal ter estes direitos, mas eles não existiram até ao final dos anos 60 e princípio dos anos 70. Nessa época, a editora ficava dona de tudo.
Quando os anos 70 acabaram e começou a década de 80, o seu interesse passou a ser mais em qualidade do que em expressão individual. Eu notei isso em algumas coisas publicadas no segundo volume da revista Death Rattle, especialmente Xenozoic Tales. Na época, sentiu-se ameaçado pela chegada da Pacific Comics ou da Capital Comics?
Bem, eu não diria ameaçado, porque vai sempre haver concorrência. E eu não tenho problemas com concorrência, desde que seja leal, mas não havia dúvida que o palco estava a ficar cada vez mais cheio. Eu tinha confiança que ia poder chegar ao meu público, e nunca procurei ser o rei da montanha. Até fiz algumas piadas sobre isso nas minhas histórias, mas nunca pensei a sério que ia ser o maior. Na sua maior dimensão, a Kitchen Sink teve 30 empregados. Não era uma micro-empresa, mas as grandes editoras tinham bem mais de uma centena a trabalhar para eles, e tinham muito mais capital que eu. Por isso, o meu objectivo principal era sempre fazer banda desenhada da qual eu me sentisse orgulhoso. Desde que eu ganhasse o suficiente para ter uma vida confortável, não precisava de guiar um Cadillac descapotável, por isso estava contente e continuei a trabalhar assim por muitos anos.
Esteve envolvido com o surgimento das primeiras novelas gráficas, com o Will Eisner, que chegou a ser considerado o inventor do conceito, apesar de já existirem algumas publicadas. Mas tendo em conta que ele tinha estado fora da indústria por muitos anos, porque é que ele quis voltar, e porquê o interesse dele em novelas gráficas?
Bem, em 1971, eu ainda era um editor muito jovem, acho que estava no meu segundo ano na indústria. Eu tinha ido à convenção de Nova York, a primeira vez que fui a uma, e o Will Eisner estava lá. Também estava um historiador francês de banda desenhada chamado Maurice Horn, que viu a placa com o meu nome e disse-me “olha, o Will Eisner está à tua procura”. Eu respondi que ele devia estar enganado, eu não conhecia o sr. Eisner, ia adorar conhecê-lo, mas de certeza que ele não estava à minha procura. Ele insistiu, “não, não, ele disse-me para vir à tua procura, tens que ir ao quarto dele no hotel”. Pensei que devia ser um erro, mas pelo menos era a minha hipótese de o conhecer.
Afinal, o Will estava a acompanhar o que se passava na BD alternativa, ele estava fascinado com o modelo de negócio, que era muito diferente do que ele conhecia. Ele quis perguntar-me como é que aquilo funcionava, como era a distribuição, isso tudo. Eu só queria falar com ele sobre as histórias antigas e ele não queria saber disso, ele só disse “isto tudo intriga-me, dá-me vontade de voltar à indústria”, então arrisquei e disse-lhe que podíamos trabalhar juntos, que eu estava interessado em publicar The Spirit e qualquer outra coisa nova que ele quisesse fazer. E foi assim que começou a nossa relação. Foi inesperado, e nada previsível. Foi a lenda que foi à procura do jovem desconhecido, e acabámos por trabalhar juntos até ao fim da vida dele. Éramos completamente diferentes, mas tínhamos a mesma paixão pela banda desenhada, e foi isso que nos manteve juntos.
Quando eu ainda não lia em inglês, nós recebíamos revistas de super-heróis do Brasil. Mas os editores brasileiros também começaram a publicitar muito o Will Eisner quando começaram a linha de novelas gráficas deles. Você apresentou Will Eisner a um novo público, não só nos Estados Unidos, mas também no mundo. Olhando para trás, alguma vez achou que estava a influenciar o modo como o resto do mundo via as histórias dele?
Não, e não posso ficar com o crédito disso. Eu só ajudava como podia. Ainda no início, ele foi convidado para ir a Angoulême e receber o Grande Prémio deles, nos anos 70, por isso ele já estava a fazer as suas próprias ligações a outras pessoas. Mas sempre gostei deste aspecto internacional da banda desenhada. Adoro vir a sítios como a Amadora e conhecer talentos novos. É a parte mais interessante, porque a banda desenhada é uma linguagem internacional, é uma excelente maneira para as culturas se compreenderem umas às outras. Também era um grande prazer para o Will, que se tornou um embaixador da BD nos últimos anos. Acho que isso ajudou toda a gente.
Nos anos 90, a Kitchen Sink fundiu-se com a Tundra, o que não foi uma boa ideia em retrospectiva. Qual foi a motivação?
Eu gostava do trabalho do Kevin Eastman e, na época, ele tinha muito dinheiro e a Tundra estava a fazer algumas coisas interessantes. Ele contou-me que queria que eu fosse eu gerir a editora, porque ele tinha uns familiares a fazer isso e eles não eram muito competentes. Para mim, foi uma oportunidade de ampliar a Kitchen Sink, e ele prometeu fazer um grande investimento para podermos crescer e contratar pessoas talentosas. Algum tempo depois de eu me mudar com o meu pessoal para o outro lado do país, o Kevin descobriu que o império das Tartarugas Ninja já não dava tanto lucro, o capital estava menor, e os investimentos dele estavam a perder dinheiro. Ele veio pedir-me desculpas e disse que “precisamos de encontrar um investidor, porque eu não vou poder cumprir a minha promessa”.
O nosso salvador acabou por ser um banco de investimentos em Los Angeles, mas eles só estavam interessados em banda desenhada que estivesse para ser transformada em filmes. Assim que eles chegaram, apoderaram-se do controlo e eu e o Kevin ficámos em minoria. A indústria também estava a cair e eles não estavam satisfeitos. Tínhamos feito um filme com O Corvo e a série Xenozoic Tales do Mark Schultz tinha sido transformada num desenho animado chamado Cadillacs & Dinossauros. Mas eles queriam mais, e não dá para estalar os dedos e aparecer um programa de televisão. Quando isso não aconteceu imediatamente, eles ficaram descontentes e começaram a retirar o investimento. Foi uma tortura lenta, com o Kevin eu sabia que eu tinha um amigo que adorava BD, mas com os banqueiros era só negócio. Ao fim de quatro ou cinco anos, parámos, não dava para trabalhar com eles.
Nessa altura já estava envolvido com o Comic Book Legal Defense Fund (Fundo de Defesa Legal para a Banda Desenhada). Isso também já o devia manter ocupado.
Sim, comecei, se não me engano, em 1986, e era essencialmente trabalho voluntário, porque muitas lojas especializadas começaram a ter problemas legais, especialmente na zona que chamamos o Bible Belt, áreas muito conservadoras. Se era vendida BD alternativa, ou qualquer revista que pendesse mais para o erótico ou politicamente controverso, as autoridades iam procurar qualquer razão para fazer pressão na loja.
Quando eu descobri isto, quis fazer alguma coisa, então criei uma organização não lucrativa para juntar dinheiro para poder contratar advogados especializados para os defender. Antes disso, uma loja não ia conseguir manter o negócio, ou o dono ia desistir de vender as revistas consideradas obscenas. Com o CBLDF, o dono da loja podia manter o negócio e não tinha que pagar os custos legais. Por isso conseguimos salvar muitas lojas e alguns artistas que também foram acusados, porque isto tinha a ver com a liberdade de expressão da Primeira Emenda. Eu geri o Fundo durante 18 anos, e depois achei que era a altura certa para entrar sangue novo, mudei o conselho de administração e introduzi limites de mandatos. Agora estou contente por existirem mais pessoas envolvidas, enquanto eu sou só um conselheiro.
Hoje em dia, os profissionais da banda desenhada já têm a protecção legal que não tinham nos anos 70 e 80.
Pois, é um reconhecimento que a banda desenhada é para ser levada a sério. É preciso lembrar que ainda não há muito tempo, as autoridades, os professores, os pais, achavam todos que a banda desenhada é um meio para crianças. Ver um cartunista do underground a fazer coisas com drogas e corpos nus era chocante, eles diziam “não se pode fazer isto, vai ser lido por crianças”, e nós dizíamos “não, é um meio, como o cinema e a literatura, e não pode ser restringido”. E isso demorou muito tempo. Acho que já ultrapassámos esses obstáculos, mas foram preciso décadas para as atitudes mudarem.
Antes do primeiro caso, o caso Correa, vocês achavam que estavam seguros da crítica geral, escondidos nas lojas especializadas?
Acho que não pensámos nisso a nível consciente, pelo menos até começarem os problemas legais. Para mim, antes das lojas de BD, só tínhamos as head shops como mercado, e eu não me preocupava com elas, porque éramos todos foras-da-lei juntos. As head shops já vendiam parafernália para consumo de drogas, portanto a BD underground era apenas parte de um conjunto de coisas que já eram controversas para a polícia e para as gerações mais velhas. A BD tinha má reputação. Agora é completamente aceite, e eu confesso que tenho algumas saudades dos dias em que era um fora-da-lei.
A Kitchen Sink tinha alguns título que podiam ter causado alguns problemas na época, como Gay Comix, Bizarre Sex ou Dope Comix…
Sim, exactamente. Fazia tudo parte da ideia de provocar propositadamente, porque era uma reacção à censura que vinha de antigamente, e nós queríamos cutucar os olhos dos censores. Agora, a minha filha mais nova tem 20 e adora BD, mas quando olha para as revistas alternativas, ela abana a cabeça e diz-me “pai, devias ter vergonha das coisas que fizeste, são muito sexistas, exageradas ou repugnantes”. É difícil explicar-lhe que os tempos eram diferentes, que estávamos a reagir contra o poder vigente. E quando isso acontece, atravessa-se uma linha para criticar alguma coisa. Artistas como o Crumb ou S. Clay Wilson, muitos deles, exageravam, por isso é difícil justificarmos o que fizemos na altura com o contexto actual.
O caso Mike Diana foi o mais difícil que tiveram?
Provavelmente, porque perdemos esse. Ainda por cima pelo modo como ele foi condenado, quando ele só estava a fazer BD para distribuir em fotocópias por correio. Mas ele vivia numa cidade no norte da Florida, onde havia um assassino em série, que matou três mulheres. A polícia estava à procura de qualquer pessoa suspeita, e alguém disse para irem investigar o Mike Diana, que ele fazia pornografia e era capaz de tudo. Quando eles foram ao apartamento dele, não encontraram nada relacionado com os homicídios, mas viram os comics dele e prenderam-no por posse de pornografia, apesar de não estar a tentar vendê-la a ninguém.
A Florida tem muita gente idosa a viver lá, e quando chegou a hora do julgamento dele, ele não foi julgar pelos pares, foi julgado por idosos de 60 a 70 anos. E quando eles olharam para ele, e viram os desenhos com Jesus a sodomizar uma criança, mandaram-no para a prisão, porque não compreenderam como alguém podia fazer isto. Foi o caso mais difícil de defender porque, para uma pessoa normal, eles não compreendiam porque isto devia existir, e se fosse permitido, o que mais podia acontecer. Só que a Primeira Emenda deve ser absoluta, pois se fôssemos parar Mike Diana, onde é que estabelecíamos o limite? É preciso proteger o que há de mais extremo.
Não se pode nem deve legislar o mau gosto.
Pois. O pior nem foi ele ter sido condenado pelo juiz e ter passado tempo sob prisão domiciliária. O pior foi que o juiz decidiu que ele não podia sequer fazer desenhos, mesmo em privado e dentro da sua própria casa, e que a polícia podia fazer buscas a casa dele a qualquer altura, e se encontrassem desenhos, ele ia preso. Para nós, isso foi totalmente inaceitável e sem precedente. Como se pode decidir que uma pessoa que não pode desenhar? Apelámos ao Supremo Tribunal Estatal e perdemos, e apelámos ao Supremo Tribunal e eles recusaram-se a ouvir o caso. Ficámos desiludidos porque isto precisava de ser revisto ao nível mais alto. Agora há jurisprudência com um precedente perigoso, que diz que um juiz pode impedir uma pessoa de se pode expressar através de desenhos, e isso nunca foi indeferido.
Hoje em dia, há uma nova geração de autores de banda desenhada que começou a trabalhar exclusivamente online. Como alguém que fez parte de um movimento revolucionário, está a prestar alguma atenção a este novo modo de publicar e de entrar em contacto com os fãs?
Não tenho mesmo tempo para investigar o que se passa onlne. Vi o suficiente para saber que é uma área nova e apelativa. E posso dizer que, se tivesse 20 anos, provavelmente é o que estaria a fazer, a tecnologia está a abrir novas oportunidades maravilhosas. É muito difícil distribuir livros fisicamente, era a pior parte do meu trabalho. Mas trabalhámos arduamente e tivemos muito sucesso. Só que agora, com a internet, se fores agressivo, talentoso e sortudo, consegues atingir milhares, talvez milhões de pessoas em redor do mundo, e isso era pura ficção científica quando eu tinha 30 anos. Mas agora o futuro está aí, e eu acho fantástico.
Fotos da exposição de Will Eisner, com visita guiada por Denis Kitchen
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco. Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? Giovani de Jesus da Silva: Primeiramente, saudações ao blogue que tem sido a principal referência em informações e textos sobre Tex em língua portuguesa. Meu nome é Giovani, nasci em 1987, em Ijuí, Rio `Grande do Sul, Brasil, actualmente sou bancário e estudo Letras Português/Inglês e respectivas literaturas. Sou grande admirador de Portugal e seu legado histórico e tenho orgulho de manter esse elo cultural que nos une. Infelizmente ainda não tive a oportunidade de conhecer a velha pátria de Camões. Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?Giovani de Jesus da Silva:Minha mãe sempre leu para mim quando criança, o que me fez crescer com o hábito de ler literatura e os nossos queridos gibis. As memórias mais remotas que tenho é de ouvir as histórias do Coelho Quincas (Brer Rabbit) da Disney. Ela me levava junto no sebo quando ia comprar seus livros, o que me fez descobrir esse mundo fantástico dos quadrinhos. Quando descobriu Tex?Giovani de Jesus da Silva: Eu tinha uns 10 anos quando vi, na casa de um tio, o Tex nº 250, Liberdade para Skagway, a capa chamara a atenção, então comecei a folhear e percebi que aquilo era algo mais sério, uma sensação de aventura e perigo que eu não conhecia. Logo pedi para a minha mãe alguns Tex, e ela trouxe o nº 62, Os Apaches Atacam, e esta foi a primeira aventura de Tex que li efectivamente e comecei a ajuntar os exemplares. Porquê esta paixão por Tex? Giovani de Jesus da Silva: Tex é um herói. Ele é o arquétipo do herói ideal, algo inalcançável, mas cuja busca é necessária. O herói dá à criança o sentido de que pode ser alguém valoroso quando crescer; dá ao jovem a motivação de lutar pelo que quer conquistar; e dá ao adulto a inspiração para proteger a sua família e ser fiel a seus princípios. Um dos maiores males de nosso tempo é o abandono dos ideais com a justificativa de que não podem ser alcançados. Não acreditam em amor, porque poucos o tem, não acreditam em família porque as famílias são imperfeitas. Eu sou cristão e creio que a vida se resume em buscar ideais elevados num constante conflito com nossa natureza imperfeita. O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?Giovani de Jesus da Silvas: Tex permanece fiel à sua essência, imune a décadas de tendências e oscilações mercadológicas. Não precisou de reboots, não precisa de cronologia explicada porque aceitamos facilmente esse eterno presente situado em algum lugar perto de 1880.Há aí um mérito de Gianluigi Bonelli como escritor, um grande mérito do filho Sergio por manter o personagem como o pai o criou. Não sou um conservador quanto ao estilo de traço, ou formato, mas arrisco dizer que não se pode mudar a essência de Tex, bondoso e linha dura sempre na medida certa (às vezes até contornando a lei que representa). Uma boa definição é dada por um figurante enquanto Tex cavalga para o encontro com El Muerto: “… é daqueles que o Pai Eterno fez e jogou a receita fora“. Não digo que toda a banda desenhada deva seguir essa fórmula do herói ideal, mas importa que elas existam. Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?Giovani de Jesus da Silva: Chutando devo ter umas 1000 revistas. Tenho toda a colecção principal, os Gigantes, Anuais e Almanaques lançados no Brasil. Estou atrás de completar a Edição Histórica, tenho alguns Ouro, só não acompanho o Tex Coleção. Estou comprando as edições da Salvat também. As mais importantes para mim são as poucas que tenho da primeira edição da Vecchi, entre elas a saga da morte de Lilyth. Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?Giovani de Jesus da Silva: Tenho alguns pósteres também, mas não costumo procurar nada além do que é publicado por aqui, principalmente pelas limitações financeiras. Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?Giovani de Jesus da Silva: Seria muito bom ter aquelas estatuetas que eu vejo na internet.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? Giovani de Jesus da Silva: Tenho grande afeição pelas aventuras da dupla Boseli/Marcello que são as melhores aventuras (Jack Thunder, Diabo Vermelho, A Grande Invasão, O Bando dos Irlandeses), mas o meu desenhador favorito é o saudoso Aldo Capitanio; Matador e Rio Selvagem são apoteóticas, dignas de emoldurar cada quadro, sem hipérboles. O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? Giovani de Jesus da Silva: Algo que percebo de muito bom é a média elevadíssima de boas histórias que o personagem tem. Há algumas histórias que se sobressaem, mas as medianas já são muito boas também, é diversão garantida. Não costumo me decepcionar com Tex, mas posso citar um caso: a recente aventura do retorno de Yama. A minha expectativa estava alta, a história desenhada por Civitelli no auge de sua forma, escrita pelo grande Boselli, mas algo não deu certo… ficou a impressão de que Boselli não tratou deste roteiro com esmero à altura dessa ocasião especial, ou simplesmente não estava inspirado o suficiente. Civitelli foi sensacional. Poderia citar também os problemas de impressão que a Mythos está tendo na série Ouro. Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? Giovani de Jesus da Silva: Se a resposta fosse fácil haveria mais publicações ininterruptas completando 70 anos (rs)! É uma fórmula que muitos buscam. É fácil reconhecer em Tex o bem e a justiça, sem cair em moralismos e condescendência, sem carolice ou crueldade. Reconhecemos prontamente, mas não é nada fácil criar um personagem nesse equilíbrio. Costuma encontrar-se com outros coleccionadores? Giovani de Jesus da Silva: Nunca participei de encontros ou eventos, mas conheci pessoas pela Internet, fiz amizades, alguns já encontrei pessoalmente para conversar e trocar revistas. Para concluir, como vê o futuro do Ranger? Giovani de Jesus da Silva:Vejo um boom de Tex acontecendo no Brasil, muito graças à nova colecção da Salvat. Vejo pessoas ao meu redor dizendo que estão comprando, algumas procurando as edições da Mythos a partir disso, para estes recomendo a colecção Ouro e a mensal, que sempre será a principal publicação de Tex no Brasil. É o momento de investimentos e decisões acertadas, uma janela de oportunidades está se abrindo. Na Itália também está havendo mudanças de postura, experimentações como as graphic novels, e pelo pouco que sei sobre Davide Bonelli, podemos esperar outras novidades com a marca do Ranger além das HQs (BDs). Eu vejo um futuro promissor. Um forte abraço e obrigado pelo convite! Prezado pard Giovani de Jesus da Silva agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Por Thiago Gardinali Por todos os cantos [do Brasil] – nas praças, ruas e avenidas – o nosso ranger preferido se exibe como nunca antes aos olhos de todos os pedestres e motoristas. Fui surpreendido nestas últimas semanas com a intensa divulgação de Tex Gold da Editora Salvat nas bancas de jornais brasileiras. Sem desmerecer o sempre muito bem feito trabalho das editoras Vecchi, Globo e Mythos, que possibilitaram a existência dos títulos regulares de Tex nos últimos 46 anos, percebo que o momento agora é diferente e especial, até por tratar-se de um novo produto e, consequentemente, com estratégia específica de marketing. Como leitor e coleccionador há mais de 30 anos, estou acostumado a reparar em cada detalhe de bancas de jornais e livrarias que estão em meu caminho. É aquele instinto de sempre buscar alguma novidade na ânsia por novos lançamentos. Já tivemos épocas bem melhores das bancas de jornais no Brasil, onde as revistas eram dispostas em modo mais organizado internamente e também nos expositores externos, aqueles protegidos com o vidro que permitem a visualização de quem caminha na calçada ou passa de carro. Falando especificamente de Tex, não foram poucas as vezes que vi cartazes colados na parte externa para promover lançamentos de Tex Gigante e Tex Edição Histórica. Mas fora isso, as publicações sempre estiveram ali dentro disputando espaço com os demais quadradinhos. Agora, com Tex Gold, é possível afirmar que, pela primeira vez, o ranger realmente está por todos os cantos. Seja pendurado na parte de cima, no caixa, na parte de fora e em espaços nunca antes ocupados (em parte pelo tamanho avantajado do pacote que traz o livro e o póster). Bancas que não costumam receber os títulos de linha de Tex, agora exibem a chamativa colecção da Salvat. Como se não bastasse, no intervalo comercial de importantes redes nacionais de televisão, é possível assistir o spot publicitário que divulga Tex Gold.
Existe uma somatória de factores que contribui para o sucesso da publicação. Além da agressiva estratégia de divulgação da Salvat, oferecendo um produto de qualidade com bom preço, o momento oportuno para o formato de quadradinhos em capa dura. Começou no Brasil com os heróis Marvel e DC, seguiu com as personagens Disney e agora chegou à linha Bonelli. Foi também uma inteligente forma de forçar a entrada dos quadradinhos nas livrarias. Trata-se de uma óptima oportunidade de atrair aquele leitor que não se sente motivado em comprar os formatinhos de banca, mas que gosta da ideia de ler quadradinhos em um livro de luxo, que ficará bem exposto em sua estante. Oportunidade de atingir novos leitores, muitos deles que nunca leram Tex pelo preconceito com o branco e preto, e agora não têm mais desculpa com a possibilidade de ter em mãos um álbum semelhante às demais personagens de banda desenhada. E quem sabe até, tamanho entusiasmo, passar a comprar também os títulos regulares da Mythos. Não há dúvidas de que esta enxurrada de Tex em bancas e livrarias terá um efeito positivo para reaquecer o personagem às vésperas de seu aniversário de 70 anos. E, no embalo, possibilitar que a Mythos lance as diversas edições especiais que a Bonelli prepara para 2018.