domingo, 14 de julho de 2019

Descubra os Segredos do Classico Super Man o Homem tinha e tem Tudo

 
Da redação

CLÁSSICOS REVISITADOS: «PARA  SUPER MAN O HOMEM QUE TINHA TUDO»



  No dia do seu aniversário, o Último Filho de Krypton recebe um presente envenenado de um velho inimigo. Preso num transe fatal, Kal-El vive aquele que é o seu mais íntimo desejo. Apenas para descobrir que a fantasia pode ser ainda mais cruel do que a realidade.

Título original: For the Man Who Has Everything...
Editora: Detective Comics (DC)
País: EUA
Autores: Alan Moore (argumento) e Dave Gibbons (arte)
Publicado em: Superman Annual Vol.1 nº11 (agosto de 1985)*
Protagonistas: Super-Homem / Kal-El
Coadjuvantes: Batman, Robin (Jason Todd), Mulher-Maravilha, Mongul, Jor-El, Lyra Ler-Rol, Allura In-Ze, Kara Zor-El, Van-El e Orna Kal-El
Cenários: Fortaleza da Solidão e Krypton (na fantasia do Super-Homem)

*Sucessivamente reeditada ao longo dos anos, em 2006 a história foi selecionada para integrar o volume antológico DC Universe: The Stories of Alan Moore, que compilava alguns dos melhores trabalhos do escritor britânico ao serviço da Editora das Lendas.

Edições em Português 
Sob o título "O Homem que Tinha Tudo", a história foi pela primeira vez apresentada ao público lusófono em maio de 1991, nas páginas de Super Powers nº21, cuja capa era um fac-símile da original. Ainda por terras de Vera Cruz, desde o início deste século vem sendo sucessivamente republicada sob a chancela de diferentes editoras.
A primeira a fazê-lo, logo em 2002, foi a Opera Graphica, numa controversa edição em formato americano mas a preto e branco. Seguiu-se a Panini Comics que, entre 2006 e 2013, a incluiu em três antologias, entre as quais DC 75 anos, coleção lançada no âmbito das comemorações das bodas de diamante da Editora das Lendas e que reunia algumas das suas histórias mais emblemáticas. Por fim, em 2018, a história foi inserta no 63º volume da Coleção DC Comics Graphic Novels, da Eaglemoss.

A edição original (cima) e a controversa republicação
 a preto branco da brasileira Opera Graphica.

Irreverência britânica
Coincidindo com o aumento de popularidade dos super-heróis em terras de Sua Majestade, desde a viragem da década de 1980 que Alan Moore era uma estrela em ascensão na indústria de quadradinhos britânica. Tanto a divisão local da Marvel Comics como a Quality Communications e a Fleetway requisitavam regularmente os seus serviços de argumentista para alguns dos seus principais títulos. Para esta última, por exemplo, Moore escreveu durante essa fase mais de meia centena de histórias publicadas em 2000 A.D., magazine de ficção científica no qual, em 1977, o Juiz Dredd fizera a sua estreia.
Em várias dessas ocasiões, as tramas de Moore haviam sido ilustradas pelo seu compatriota David Gibbons. Ambos faziam uma avaliação deveras positiva dessas colaborações, mas o talento de Gibbons foi o primeiro a chamar a atenção do outro lado do Atlântico. Logo em 1982, a DC Comics, na pessoa de Len Wein (à data, editor e argumentista de Green Lantern) contratou-o para desenhar a série mensal do Gladiador Esmeralda.
No ano seguinte, seria a vez de Moore, novamente por intermédio de Len Wein, ser cooptado para assumir os argumentos de Swamp Thing, cujas vendas vinham afundando a pique. Recebendo carta de alforria para levar a cabo as alterações que julgasse necessárias para reverter a situação, Moore não só fez disparar as vendas da série do Monstro do Pântano como, a par de artistas como Rick Veitch, reinventou a personagem, introduzindo temáticas inéditas nas suas tramas. Ao abordar, de forma experimental, questões sociais e ecológicas, Swamp Thing depressa concitou a atenção do público e da crítica, transformando o que parecia ser um caso perdido na nova coqueluche da Editora das Lendas.
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Alan Moore (esq.) e Dave Gibbons celebrando
 o lançamento de Watchmen,a obra que os imortalizou na história da Nona Arte.
Mesmo durante a fase em que assinava as histórias do Monstro do Pântano, Moore submeteu aos seus editores diversas propostas envolvendo personagens como o Caçador de Marte (consta que seria ele o protagonista original de For the Man Who Has Everything...) e os Desafiadores do Desconhecido (conceito desenvolvido por Jack Kirby após a sua zanga com a Marvel). Propostas essas que, invariavelmente, acabaram rejeitadas dada a circunstância de outros escritores estarem já a desenvolver projetos com as personagens cobiçadas por Moore.
Quando, no início de 1985, o Editor-Executivo e Vice-Presidente da DC, Dick Giordano, aprovou por fim o projeto que viria a ser consubstanciado na ovacionada minissérie Watchmen, Moore e Gibbons (autores da ideia) começaram de pronto a trabalhar na planificação das histórias.
Pouco depois, Julius Schwartz, o então todo-poderoso editor dos títulos do Homem de Aço, sondou Gibbons sobre a sua disponibilidade para desenhar uma história do herói. Gibbons declarou-se disponível, mas quis saber qual o escritor com quem iria trabalhar. Quando Schwartz lhe disse que poderia escolher o seu parceiro criativo, Gibbons imediatamente sugeriu Alan Moore.
Sem delongas, a Dupla Dinâmica da Velha Albion deitou mãos à obra e For the Man Who Has Everything... começou a ganhar forma. Levando em consideração duas importantes mudanças ocorridas na continuidade então estabelecida: 1) Em agosto de 1979, mais de duas décadas após a sua inclusão na mitologia do Super-Homem, Kandor - cidade kryptoniana miniaturizada por Brainiac antes da implosão do planeta- havia finalmente revertido ao tamanho normal, em Superman nº338; 2) Em março de 1983, Jason Todd, um órfão com passado de delinquência juvenil, sucedera a Dick Grayson como Robin, sendo agora ele quem acolitava o Cavaleiro das Trevas.
De referir ainda que os sucessivos êxitos de Moore e Gibbons impeliram a DC a contratar outros escribas britânicos para produzirem histórias de apelo similar. Grant Morrison, Neil Gaiman e Peter Milligan fizeram parte dessa armada britânica que, nos anos imediatos, aportaria na ex-colónia para revolucionar a forma de escrever banda desenhada. E que, no início dos anos 90, constituiriam o núcleo duro de Vertigo, a linha adulta da Editora das Lendas entretanto encerrada.

Enredo

No exterior da Fortaleza da Solidão, algures no Círculo Polar Ártico, a Mulher-Maravilha reúne-se à Dupla Dinâmica. É o aniversário do Super-Homem e os seus amigos trouxeram-lhe presentes especiais. Ao adentrar na estrutura kryptoniana, o trio depara-se, porém, com o anfitrião em estado catatónico e envolvido pelos tentáculos de uma grande planta alienígena presa ao seu peito.
Batman analisa rapidamente a situação e deduz que o presente envenenado terá chegado pelo canal de teletransporte, enviado por um dos muitos mundos agradecidos pela ajuda do Super-Homem, e que ignorava os efeitos nocivos da planta. Nesse instante, Mongul entra em cena e revela ter sido ele o responsável pelo envio da Clemência Negra. Assim se chama a misteriosa planta que, na realidade, é um organismo simbiótico. Uma vez acoplada ao seu hospedeiro, a Clemência Negra consome-lhe a força vital ao mesmo tempo que o infunde num sonho vívido baseado no seu desejo mais íntimo.
Durante a sua breve explanação, e perante a estupefação dos seus interlocutores, Mongul usa um par de gigantescas manoplas para tocar na Clemência Negra sem ser afetado por ela.
Os amigos do Super-Homem deparam-se com uma cena perturbadora
antes de serem surpreendidos por Mongul (baixo).
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Paralelamente, é mostrado o que se desenrola no subconsciente do Homem de Aço: um simples homem de família, Kal-El vive feliz em Krypton, que nunca foi destruído. Casado com a ex-atriz Lyla Ler-Rol e pai de dois filhos, Van e Orna, Kal trabalha no Instituto de Geologia de Kryptonopolis, a capital do planeta e sua cidade natal.
De volta à Fortaleza da Solidão, a Mulher-Maravilha investe sobre Mongul - cujo poder excede o seu - enquanto Batman e Robin procuram desesperadamente libertar o Homem de Aço. Devido a essa interferência, a sua fantasia começa a adquirir tons mais sombrios.
Ao regressar a casa no dia do seu aniversário, Kal-El tem um festa-surpresa à sua espera. Nela estão presentes quase todos os seus entes queridos. Todos menos um: o seu pai, Jor-El.
Depois de as suas previsões catastrofistas acerca da iminente destruição de Krypton se terem revelado infundadas, Jor-El fora expulso do Conselho Científico e caíra em desgraça junto da opinião pública. E ainda mais isolado e amargurado ficara após a morte da sua esposa, Lara (mãe de Kal), vítima de uma moléstia incurável. Nem mesmo o recente falecimento do seu irmão, Zor-El, tinha servido para reconciliar Jor-El com a sua cunhada, Allura, e com a sua sobrinha, Kara.
No dia seguinte, Kal desloca-se ao laboratório do pai e encontra-o reunido com duas eminências pardas de Krypton: Lor-Em, líder de uma seita religiosa autodenominada Espada de Rao, e Dax-Ar, oficial de elevada patente do exército kryptoniano. Os três conspiram com vista à instauração de uma teocracia em Krypton, encabeçada por Lor-Em.
Kal-El não aprova as novas companhias do pai.

Após a saída dos comparsas de Jor-El, Kal tem uma acesa discussão com o pai. Que se insurge contra o que considera ser a deterioração dos valores da sociedade kryptoniana, a braços com a xenofobia e o tráfico de estupefacientes em larga escala. De nada adiantando Kal fazer notar ao pai que a sua associação com extremistas servirá somente para desbaratar o pouco prestígio que ainda lhe resta.
A altercação entre ambos metaforiza, aliás, a polarização da sociedade kryptoniana cujas bases vêm sendo sacudidas pela crescente convulsão política e social. Vive-se um clima de pré-guerra civil e um dos pomos da discórdia é a Zona Fantasma, a prisão extradimensional projetada por Jor-El para acomodar, a título perpétuo, criminosos irrecuperáveis.
Considerada um sistema desumano, a Zona Fantasma enfrentava uma onda de contestação, contribuindo sobremaneira para a impopularidade da Casa de El. Em consequência dessa animosidade para com os seus representantes, Kara Zor-El é brutalmente agredida por um grupo de manifestantes que usam Jax-Ur, um dos mais perigosos prisioneiros da Zona Fantasma, como mártir e símbolo.
Com a prima a lutar pela vida numa cama de hospital, Kal. temendo pela segurança da sua família, decide abandonar Kryptonopolis. Antes de partir, tem ainda tempo para testemunhar as escaramuças entre membros da Espada de Rao e manifestantes anti-Zona Fantasma nas ruas da cidade.
De visita à cratera de Kandor, Kal, cada vez mais consciente de que algo está errado, expressa o seu amor ao filho momentos antes de este se desvanecer como uma miragem nos seus braços. Esta dolorosa revelação coincide com o momento em que Batman consegue, por fim, arrancar a Clemência Negra do torso do Super-Homem. Ato contínuo, a planta atraca-se ao Homem-Morcego, submergindo-o num devaneio que dá forma ao seu mais profundo desejo.
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Kal-El despede-se do filho que nunca teve..
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Batman vive também o seu maior desejo.
Na fantasia de Batman, Thomas Wayne consegue desarmar o assaltante que cortara o caminho à sua família no Beco do Crime naquela fatídica noite em que o pequeno Bruce ficara órfão. Graças ao afeto e orientação dos pais, Bruce leva uma vida normal, chegando mesmo a casar e a ter uma filha.
Entretanto, dá-se o violento despertar do Super-Homem. Enfurecido pelo ataque da Clemência Negra e pela perda da sua família imaginária, ataca selvaticamente Mongul, que estava prestes a matar a Mulher-Maravilha tombada a seus pés.
Enquanto Super-Homem e Mongul se digladiam, destruindo secções inteiras da Fortaleza da Solidão e interferindo com os sismógrafos, Robin enfia as manoplas esquecidas pelo vilão e remove, a custo, a Clemência Negra do peito de Batman.
O violento despertar do Homem de Aço.
Prestes a desferir um golpe fatal no seu oponente, o Homem de Aço distrai-se momentaneamente ao entrever as estátuas dos seus pais kryptonianos. Mongul aproveita o ensejo para contra-atacar com ferocidade, deixando o herói à sua mercê. Antes que possa, no entanto, assestar a estocada final, o vilão é surpreendido pela presença de Robin.
Através de um buraco no teto, o Menino-Prodígio deixa cair a Clemência Negra sobre Mongul. Imediatamente capturado pela planta, o vilão extasia-se com o seu maior sonho: após assassinar o Super-Homem e vários outros heróis, conquista a Terra e, em seguida, todo o Universo.
Com os seus aliados ainda a recomporem-se, o Super-Homem informa-os do seu plano para se desenvencilhar de Mongul. Um plano que consiste em soltar a criatura no âmago de um buraco negro do outro lado da galáxia.
Chegado o momento de desembrulhar os presentes, o Homem de Aço agradece gentilmente a réplica de Kandor fabricada pelas joalheiras da Ilha Paraíso e ofertada pela Mulher-Maravilha. Sem que ninguém se aperceba, o herói voa a supervelocidade para esconder a sua própria réplica da Cidade Engarrafada guardada numa divisão adjacente, poupando assim a amiga ao embaraço.
Batman, por sua vez, pretendia presenteá-lo com uma nova espécie de rosa criada em laboratório e batizada de Krypton. A flor havia sido, porém, destruída durante a refrega com Mongul. Fleumático, o Super-Homem reconhece que talvez tenha sido melhor assim, antes de pedir que alguém prepare café enquanto ele arruma a casa.
Super-Homem usa a sua supervelocidade para esconder a sua réplica de Kandor
antes de receber a oferenda da Princesa Amazona.

Apontamentos 

*Superman Annual nº11 foi o penúltimo fascículo da primeira série desse título icónico do Homem de Aço, publicado de forma interpolada entre 1960 e 1986. Ao contrário do que o título sugere, a série teve periodicidade variável: de quadrimestral em 1961 passou a semestral em 1962 e novamente a anual no ano seguinte;
*Aclamada pelos leitores e pela crítica, em 1986 For the Man Who Has Everything... foi nomeada para o Kirby Award na categoria de Melhor História Individual e ocupa a 4ª posição na lista das cem melhores histórias de todos os tempos elaborada pela revista Wizard;
*Apesar de ser um dos melhores contos do Super-Homem e uma obra representativa da chamada Idade de Bronze (1970-1986), For the Man Who Has Everything... foi desconsiderada na continuidade pós-Crise nas Infinitas Terras. O que não impediu o escritor Geoff Johns de, já este século, recuperar a Clemência Negra para as histórias do Lanterna Verde;
*A par de Reign of the Supermen (O Regresso do Super-Homem, arco de histórias já aqui esmiuçado), For the Man Who Has Everything... alcandorou Mongul a arqui-inimigo do Homem de Aço; um dos poucos a conseguirem bater-se de igual para igual com o kryptoniano. Até então, Mongul (prontuário disponível neste blogue) era apenas mais um vilão intergaláctico com sonhos de conquista;
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Mongul é um dos mais formidáveis inimigos do Super-Homem.
*A história inclui também aquela que, com elevada quota de probabilidade, terá sido a primeira referência explícita à data de aniversário do Homem de Aço. Especula-se que a escolha de 29 de fevereiro terá sido uma brincadeira de Alan Moore para explicar a jovialidade do herói, que apenas celebraria o seu aniversário a cada quatro anos. Certo é que essa data seria consagrada pela DC, por altura das comemorações dos 50 anos do Super-Homem;
*Uma das mais belas e famosas atrizes de Krypton, Lyla Ler-Rol fizera a sua única aparição em Superman nº141 (novembro de 1960). Numa história típica da Idade de Prata (1956-1970), o Homem de Aço, com recurso à viagem no tempo, revisitava o seu planeta natal semanas antes da sua destruição. Tempo suficiente para Kal-El se enamorar e ficar noivo de Lyla. O casamento acabaria, contudo, por não se consumar. Lyla é também uma das várias coadjuvantes do Homem de Aço com as inicias LL;
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Super-Homem e Lyla Ler-Rol no primeiro encontro de ambos.
*Asa Noturna e Pássaro Flamejante (Nightwing e Flamebird no original) são outros dos elementos da Idade de Prata referenciados na trama. Tratam-se das identidades heroicas assumidas, respetivamente, por Super-Homem e Jimmy Olsen aquando das suas regulares visitas à cidade engarrafada de Kandor durante esse período editorial; 
*No seu ensaio Alan Moore´s Writing for Comics (Avatar Press, 2003), o polémico escriba britânico revelou que pretendia incluir a Supergirl na história, mas teve de substituí-la pela Mulher-Maravilha após ter sido informado da morte iminente da Última Prima de Krypton em Crise nas Infinitas Terras;
*O beijo trocado por Super-Homem e Mulher-Maravilha na ponta final da história sugere que, mesmo antes do romance vivido por ambos em Os Novos 52, a sua relação exorbitava a amizade platónica;
*Em 2004, quase vinte anos após a sua primeira publicação, For the Man Who Has Everything... serviu de mote a um episódio homónimo da primeira temporada de Justice League Unlimited, série animada da Liga da Justiça. A despeito das muitas licenças poéticas (como a omissão de Robin e de alguns trechos mais sombrios), Alan Moore, contrariamente ao que vem sendo seu apanágio, aprovou a adaptação. Mais recentemente, em 2016, um episódio da temporada inaugural de Supergirl (For the Girl Who Has Everything) foi também vagamente inspirado na história saída da pena de Moore.
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Kal-El à mercê de Mongul e da Clemência Negra em Justice League Unlimited.
Vale a pena ler?

Um dos melhores contos do Super-Homem alguma vez escritos, For the Man Who Has Everything... é, outrossim, uma obra-prima da 9ª Arte. O facto de ter sido produzida no período pré-Crise nas Infinitas Terras comprova ainda que as boas ideias não estavam esgotadas; eram os autores que tinham perdido o arrojo de outros tempos. Nesse sentido, a pirotecnia verbal de Alan Moore, polemista consagrado que continua a polarizar opiniões, foi uma pedrada no charco em que o Homem de Aço chapinhava há já um bom tempo.
De todas as histórias já escritas do Último Filho de Krypton, esta será, porventura, aquela que melhor aborda o conflito interno que o atormenta. Se o seu planeta natal não tivesse sido destruído e ele não tivesse sido enviado ainda bebé para um lugar aonde nunca iria, a sua vida teria sido totalmente diferente. Não teria assumido o papel de maior campeão do seu mundo adotivo e, por conseguinte, não teria enfrentado tantos e tão poderosos inimigos. Dito de outro modo, sobre os seus ombros não recairia o destino da Humanidade.
Escrita com mestria, a história conta com personagens bem definidas e maravilhosas referências à Idade de Prata, da qual Moore é um confesso nostálgico. Com a arte de Gibbons a torná-la ainda mais impactante ao retratar eficazmente a raiva do protagonista (algo raramente conseguido até então). Uma das sequências mais memoráveis é, precisamente, aquela em que o Super-Homem tenta incinerar Mongul com a sua visão de calor. Não por acaso, é ainda hoje considerada uma das mais intensas na história da banda desenhada.
For the Man Who Has Everything... é também um bom exemplo de como uma equipa criativa competente pode impor um registo adulto a uma história de super-heróis sem diminuir o glamour e a grandeza das personagens.
Com um final surpreendente, desenhos de excelente caracterização e expressionismo, ação e detalhismo em cada quadro, esta é, inquestionavelmente, uma obra capital no vastíssimo repertório do Homem de Aço. E que encerra uma pungente lição de humanismo: até o homem que tem tudo precisa de amigos, porquanto são eles o seu maior tesouro.
A fúria do último escuteiro.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Jiraya e Manabu juntos pela primeira vez no Anime Friends 2019

Da Redação
Por Priscila Visconti

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O maior evento de cultura pop japonesa do Brasil irá receber um dos maiores heróis japoneses, o Ninja Jiraya, interpretado pelo grande Takumi Tsuitsui, que já veio outras vezes ao nosso país e agora ele volta em julho, para o Anime Friends, junto com o seu pequeno ninja Manabu, interpretado por Takumi Hashimoto, que veio na edição passada ao festival, mas agora ele retorna com seu mestre do Metal Hero.
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Divulgação
Jiraiya foi um seriado muito popular por aqui, a série totalizou 50 episódios, que começou em 1988 e acabou em 1989, produzida pela Toei Company, era transmitida no Japão pela TV Asahi. A série foi uma referência em quebrar regras de suas antecessoras, pois se tratava de um herói sem poderes, mas que utilizava da tradição japonesa dos ninjas, que até antes nunca foi explorada nesse gênero de Metal Heroes.
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Foto por Priscila Visconti
O seriado no Brasil chegou em 1989, pela extinta TV Manchete, anos depois Jiraya começou a ser transmitido pela RedeTV em 1999, mas o programa do Ninja Jiraya já foi exibido pela NGT, passava diariamente na TV Diário de Fortaleza no ano de 2013, que depois voltou de um tempo voltou a passar no ano passado em 2018, também foi exibido pela Ulbra TV até 2014. Está atualmente na Rede Brasil de Televisão na TV Marajoara do Pará. Agora a série passa na nova emissora, Rede Brasil, no horário da série dos heróis japoneses.
A história do herói japonês é sobre o jovem Touha Yamaji, que é adotado por Tetsuzan Yamaji sucessor do clã ninja Togakure, que ele possuí um dojo onde ensina e treina seus três filhos em ninjutsu, seus outros dois filhos são Kei e Manabu. Mas ele guarda a missão passada a cada geração de seu clã, de proteger o segredo do paradeiro de Pako.
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Foto por Priscila Visconti
O Pako é uma especie de cápsula espacial de uma civilização alienígena muito mais avançada do que a Terra com a missão de retornar ao seu planeta de origem. A cápsula foi soterrada em um grande terremoto, no entanto, foi desenterrada e escondida onde foi esculpida uma placa de barro com uma inscrição que revelaria o paradeiro de Pako e que foi confiada para a sua proteção ao clã ninja Togakure há milhares de anos atrás.
O Ninja Jiraya e o jovem Manabu, estarão pela primeira vez em no Anime Friends Tour, no Rio de Janeiro e no Anime Friends, em São Paulo, aonde os fãs poderão encontrar pessoalmente o incrível Jiraya ao lado do valente Manabu.
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Divulgação
No Rio de Janeiro o evento acontece nos dias 05, 06 e 07 de Julho no Riocentro, essa será a primeira edição do Anime Friends Tour e na outra semana de julho, os atores aterrizam em São Paulo para a tradicional edição do Anime Friends, que acontece nos 12, 13 e 14 de Julho no Espaço Anhembi.
Com certeza nenhum Friends perderá essa oportunidade de encontrar juntos em um dos maiores eventos de cultura pop japonesa, os dois personagens mais épicos do das séries japonesas, pois quem perder essa oportunidade o Jiraya não te perdoará, em nome da espada olímpica.
Então corra para garantir seu ingresso ainda no primeiro lote, com preço promocional, que lembrando que eles encerrarão no próximo domingo (21), então corra e garanta seu passaporte para ver os dois maiores ninjas treinados pelo senhor Yamaji.

 
 

Relembrando as HQs do Mestre de Kung Fu

Por Sérgio Codespoti

Hoje não é fácil imaginar ou entender que Shang Chi, o Mestre do Kung Fu, um personagem asiático, criado em plena febre das artes marciais, filho de Fu Manchu, um vilão dos pulps, já teve duas revistas, foi campeão de vendas e se tornou um dos grandes heróis da Marvel da década de 1970

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Shang Chi, o Mestre do Kung Fu, surgiu em dezembro de 1973, nas páginas da revista bimestral Special Marvel Edition # 15, da Marvel Comics.
Para colocar o personagem em contexto, as artes marciais haviam se tornado uma mania no mundo inteiro, graças a filmes de Bruce Lee como: Dragão Chinês (The Big Boss), de 1971; A Fúria do Dragão (Fist of Fury), de 1972; O Voo do Dragão (The Way of the Dragon), contracenando com os caratecas Robert Wall e Chuck Norris (cuja luta contra Lee no Coliseu, em Roma, é emblemática), de 1972; e o clássico Operação Dragão (Enter the Dragon), ao lado de Jim Kelly e Bolo Yeung.
Além disso, David Carradine fazia o papel de Kwai Chang Caine no seriado Kung Fu, exibido originalmente entre 1972 e 1975. Outro sucesso da televisão era o desenho animado Sawamu – O Demolidor, um animê de 1970, exibido no Brasil pela TV Record, em 1976 – e mais tarde na TV Gazeta – que narrava as aventuras de um lutador de “chute-boxe”.
As academias de caratê e kung fu pipocavam por todos os lados. Naquela época, cada lutador defendia sua arte marcial contra outras escolas e estilos de combate. Ainda não existia o “vale tudo” ou as mixed martial arts.
Diante desse cenário, não foi estranho as editoras norte-americanas apostarem nas artes marciais como uma das tendências para atrair novos leitores.
Special Marvel Edition # 15Master of Kung Fu # 48
A Marvel demorou para entrar na onda. A Charlton Comics lançou Mestre-Judoca (Judomaster), em 1965 – ele foi a inspiração para a criação do personagem brasileiro Judoca. Em 1972, a “Casa das Ideias” tentou comprar os direitos de adaptação do seriado Kung Fu, mas não conseguiu autorização, pois a série pertencia à Warner Bros., empresa que também também é dona da DC Comics.
Como consequência, a editora licenciou o clássico pulp Fu Manchu, de Sax Rohmer, e criou seu próprio personagem, que foi inserido nesse contexto como o filho do vilão.
Nessa esteira de heróis de artes marciais, vale lembrar de Yang, da Charlton Comics, também de 1973; Richard Dragon, Kung Fu Fighter, da DC Comics, de 1974; e Punho de Ferro, da Marvel Comics, de 1974.
A primeira HQ de Shang Chi foi escrita por Steve Englehart e ilustrada por Jim Starlin (que mais tarde criaria Thanos, Dreadstar e se especializaria em sagas cósmicas). Nas primeiras aventuras, o herói, teve suas feições  levemente baseadas em Carradine.
Englehart e Starlin introduziram Fu Manchu, Sir Denis Nayland Smith, Doutor Petrie – todos criados por Rohmer –, mas acrescentaram ao elenco Black Jack Tarr e os vilões Tak e Meia-noite.
Starlin abandonou o título após desenhar apenas três edições, coagido por seus colegas universitários que lhe apontaram que o material de Rohmer, escrito no começo do Século 20, era colonialista e tinha elementos racistas, um fato que era acentuado pelo colorido grotesco da Marvel nos anos 1970, que dava um tom amarelo banana para alguns dos vilões asiáticos, como Fu Manchu e o Espreitador das Sombras (Shadow Stalker).
A Special Marvel Edition era uma revista dedicada às reimpressões de material antigo, até a introdução de Shang Chi. Depois do número 16, a publicação mudou de nome e passou a se chamar Master of Kung Fu (na verdade, o nome completo na capa era The Hands of Shang Chi – Master of Kung Fu).
No Brasil, essas HQs foram publicadas pela Ebal, em Kung Fu, título que misturava as aventuras das revistas Master of Kung Fu e Deadly Hands of Kung Fu; na Bloch, em Mestre do Kung Fu, com 31 edições entre 1975 e 1978. Posteriormente, a maior parte das aventuras foram relançadas pela Abril, em Heróis da TV e Capitão América, e sem o colorido amarelo banana.
As histórias do Mestre do Kung Fu podem ser divididas em três fases associadas a três artistas: Paul Gulacy, Mike Zeck e Gene Day. Do ponto de vista dos roteiros, só existe um nome a ser lembrado: Doug Moench, que começou a escrever o título na edição # 20.
Mestre do Kung Fu # 20Heróis da TV # 25
Paul Gulacy
Paul Gulacy assumiu a arte em Master of Kung Fu # 18, desenhou algumas edições e foi logo escalado para o especial Giant-Size Master of Kung Fu # 1, cuja história principal possui 24 páginas – enquanto as das edições normais tinham entre 16 e 18. O rosto de Shang Chi começa, então, a ficar cada vez mais parecido com o de Bruce Lee.
Nessa história, Shang Chi enfrenta o Conselho dos Sete, um grupo de assassinos selecionados entre os mais temidos Si Fans, a seita de criminosos liderada por Fu Manchu.
A coreografia das sequências de luta é mais elaborada e a narrativa de Gulacy se aprimora. A influência de Jim Steranko sobre sua arte é fácil de ser percebida.
Logo em seguida, Gulacy desenharia o segundo número especial, no qual Chi volta a enfrentar seu pai ao lado da lutadora Sandra “Sandy” Chen.
Duas páginas se destacam pela diagramação: um momento romântico entre Sandy e Chi, num parque, antes de serem atacados por assassinos; e uma splash page que é um labirinto visto de cima, mostrando o caminho percorrido pelo herói.
Vale lembrar do arte-finalista Jack Abel, que fez um belíssimo trabalho sobre a arte de Gulacy.
Nessa aventura, Shang Chi dá um show usando seu nunchaku contra um verdadeiro exército de assassinos. Na época, era uma arma exótica, dava um ar diferente ao personagem.
Master of Kung Fu # 18Giant-Size Master of Kung Fu # 1
No terceiro Giant-Size, Moench e Gulacy introduzem os Fansigars, uma seita de estranguladores indianos, mais conhecida como Tugues (o termo original, “phansigar” se refere ao ato de estrangular usando um laço, muitas vezes feito com longos lenços que eram usados como cintos, enrolados na cintura).
Para variar, os estranguladores estavam a serviço de Fu Manchu, desesperados em busca de um dos preciosos elementos da confecção do Elixir Vitae, que concedia ao vilão juventude e uma vida muito longa.
Um personagem importante que surge nessa HQ é Clive Reston, um agente do serviço secreto inglês que sempre sugeriu que seu avô era Sherlock Holmes e seu pai era James Bond. Ele foi inspirado em Roper, do filme Operação Dragão (interpretado por John Saxon). E já que Shang Chi se parecia com Bruce Lee, Gulacy deu a Clive Reston a cara de Sean Connery.
Se por um lado a narrativa e as sequências de ação eram o ponto forte da arte, a perspectiva dos cenários e veículos como carros e aviões deixavam a desejar.
Gulacy retornaria ao título principal num arco de três partes – publicado em Master of Kung Fu # 29 a # 31 (Heróis da TV # 16 a #18) – que ficou marcado na memória dos leitores.
Moench e Gulacy introduziram Carlton Velcro, um criminoso digno do 007; o Executor, que quando publicado pela Bloch se chamava Punho de Lâmina (Razorfist, em inglês), e que foi motivo de piadas entre os leitores, uma vez que possuía lâminas no lugar das mãos; e Pavane, com um visual sadomasoquista, sempre com um chicote e acompanhada de panteras negras.
Foi quando começou o sucesso do personagem, que, na década de 1970, chegou a estar entre as cinco revistas mais vendidas da Marvel. Essa aventura fugia da fórmula das anteriores e fazia o possível para simular o clima de um filme de James Bond, com locais e vilões exóticos, mulheres traiçoeiras, armadilhas fatais e um arsenal nuclear.
Master of Kung Fu # 29Master of Kung Fu # 33
A dupla Moench e Gulacy voltaria a atacar com mais um arco triplo – Master of Kung Fu # 33 a # 35 (Heróis da TV # 21 a # 23, no Brasil) –, colocando o serviço secreto inglês e Shang Chi em busca de um traidor chamado Mordilo.
Mordilo era um assassino louco e brilhante, especializado em robótica, que assume a identidade do agente inglês Simon Bretnor, e sequestra a agente Leiko Wu, personagem que estreia nessa saga e se tornaria o ponto central de um triângulo entre Chi e Reston e, posteriormente, seria o grande amor do Mestre do Kung Fu.
Wu foi a primeira personagem asiática de relevância da Marvel, cuja pele recebeu um colorido normal. Seu sobrenome é uma homenagem ao leitor Bill Wu, que escreveu muitas cartas para a revista reclamando desse problema.
O principal capanga de Mordilo era Brynocki, um robô com aparência de brinquedo, que voltaria a perturbar Shang Chi diversas vezes. Mas quem também faz uma aparição conectando Mordilo com Carlton Velcro é a vilã Pavane.
No fim, Mordilo foi vítima de sua própria loucura. Ele tinha uma máquina de destruição que usava os raios ultravioleta para queimar grandes áreas do planeta e acabou sendo sua ruína.
Shang Chi enfrenta Mordilo, arte de Paul Gulacy
Um dos melhores momentos da dupla Moench e Gulacy é um arco de duas partes no qual Shang Chi se vê frente a frente com um lutador à sua altura, Shen Kuei, o gato. Nessa HQ, publicada em Master of Kung Fu #38 e # 39 (Heróis da TV # 25), a narrativa tem muitas sutilezas e pontos de vistas diferentes e a arte atinge seu ponto mais alto.
Primeiro, eles lutam juntos contra um inimigo comum, depois se enfrentam num combate espetacular envolvendo nunchakus e uma espécie de lança de lâmina dupla, que termina num empate com a intervenção de Juliette – personagem cujo rosto foi inspirado em Marlene Dietrich –, a amante de Shen Kuei.
A história introduz com muita clareza um dos temas clássicos da revista: o inocente Shang Chi sempre filosofando sobre o seu propósito, enojado com os jogos de mentiras e trapaças do mundo da espionagem com o qual está envolvido.
Essa HQ também é um prólogo para uma grande saga que marca o retorno de Fu Manchu e sua filha, Fah Lo Suee, que marca o final da fase de Gulacy.
A saga seguinte (publicada em Master of Kung Fu # 40, #42-50, e que no Brasil se alternou entre Heróis da TV # 30 a # 34 e Capitão América # 30 a # 33) introduz a agência de assassinos de Fah Lo Suee, e o fato de que o serviço secreto britânico foi infiltrado por seus agentes, que tentam matar Nayland Smith. Surgem nesse arco Jack Lerner – inspirado em Marlon Brando –, e o vilão Punho Elétrico (Shockwave).
Fu Manchu, os Si Fans e Shaka Kharn (um antepassado do vilão que foi ressuscitado) estão em guerra com Fah Lo Suee e a seita dos Adagas Douradas.
Começando na edição # 45, cada capítulo é contado de um ponto de vista diferente: Shang Chi narra o primeiro; Reston, o segundo; Wu, o terceiro; Tarr, o quarto; Smith, o quinto; e a sexta e última parte fica a cargo do próprio Fu Manchu.
Essa aventura incorporava muitos elementos dos filmes de espionagem na linha de 007, e também de Operação Dragão, como uma sequência na qual Chi está no interior da base de Fu Manchu e usa dois bastões para enfrentar vários adversários que saem de um elevador, tal qual acontece no filme citado.
Essa grande saga culmina com a primeira morte aparente de Fu Manchu e com a saída de Gulacy da revista.
Master of Kung Fu #38Shang Chi se prepara para enfrentar Shen Kuei
Mike Zeck e Gene Day
Mike Zeck também passou muitos anos ilustrando as aventuras de Shang Chi , contra velhos inimigos como Pavane, o Gato, Punho Elétrico, Brynocki etc. Um dos novos personagens de mais destaque mais é Zaran, o mestre das armas, vilão que posteriormente  apareceu também nas revistas do Capitão América e dos Vingadores.
Novamente, a saga mais marcante envolve o confronto entre Fah Lo Suee e Fu Manchu, que sobreviveu e está escondido na América do Sul. Ele tem planos de matar os líderes mundiais e, para isso, reuniu si fans, tugues, daicots, hashishins, fansigars, o culto do Leopardo e outros, na Ordem da Aurora Dourada.
Mas surgem outros personagens, como o boxeador que era agente da CIA, Rufus Carter, o espião Samisdat, o agente Syn e até mesmo Jack, o estripador.
Zeck, um grande desenhista, com traço mais estilizado e uma narrativa mais tradicional, levou outro ritmo para as aventuras.
Apesar disso, a revista já não estava mais no seu auge. A febre das artes marciais tinha diminuído e havia muita concorrência de outros títulos dentro da própria editora, como os X-Men, de Claremont, Cockrum e Byrne; o Demolidor, de Frank Miller; e a linha de graphic novels da Marvel.
Master of Kung Fu # 72Master of Kung Fu # 88
Outro desenhista que marcou o título foi Gene Day.
Seu trabalho se caracterizava por cenários complexos, sempre com vistas impressionantes, cheias de detalhes. Sua narrativa também era sofisticada, com um ritmo mais lento. As sequências de ação eram boas, mas a coreografia das lutas – um aspecto importante – já não impressionava.
Day tinha um design de página arrojado e também chamava a atenção pelo uso criativo dos títulos das HQs (quadros com formas de letras).
Mais uma vez, Shang Chi e o Gato se enfrentam numa aventura que envolve um navio nazista afundado na Segunda Guerra Mundial, no canal da baía de Hong Kong.
Velcro e um novo Executor retornaram numa HQ que mostrava que a revista tinha perdido seu fôlego, apesar da boa arte. Novos personagens, como o Anjo Negro e o vilão Satã – que enfrentou Shang Chi no Coliseu romano, num simulacro do confronto entre Bruce Lee e Chuck Norris – não chegavam a empolgar.
Para tentar recuperar os leitores, Fu Manchu retorna em sua última grande saga. Ele está velho e o seu elixir da juventude já não funciona mais como antes. Por isso, precisa do sangue de seus filhos para rejuvenescer.
Desta vez, em vez de ressuscitar um de seus antepassados, ele usa um clone de Shang Chi, disfarçado como o Agente da Morte. Claro que esse pálido reflexo não foi suficiente para derrotar o Mestre do Kung Fu.
Day dá um show de design e narrativa nessa que é a última grande aventura de Shang Chi.
Master of Kung Fu # 115Master of Kung Fu # 118
Encerrada a participação de Gene Day, as últimas histórias do personagem trazem arte de David Mazzucchelli, em começo de carreira; e William Johnson – um bom artista, com talento para as cenas de luta, que depois desenharia um arco importante do Demolidor –, arte-finalizado por Mike Mignola, dando seus passos iniciais como artista profissional.
Shang Chi voltaria anos depois, em outras aventuras, algumas delas até escritas por Moench e desenhadas por Gulacy, mas a mágica que havia naquelas velhas histórias da década de 1970 nunca mais retornou.
Na década de 1990, o herói retornou em uma aventura na antologia Marvel Comics Presents, e no especial Master of Kung Fu – Bleeding Back.
Nos últimos 15 anos, Chi ganhou uma minissérie de seis partes com Moench e Gulacy, Shang Chi – Master of Kung Fu, da linha Max; participou das aventuras dos Heróis de Aluguel, ao lado de Coleen Wing e Misty Knight; de uma edição especial coestrelada por Deadpool; e ajudou Pete Wisdom e o serviço secreto britânico.
Durante o arco Shadowland, auxiliou o Homem-Aranha e, alguns anos depois, ensinou Kung Fu para Peter Parker. Posteriormente, fez parte dos Vingadores Secretos e ao lado do Capitão América enfrentou agentes de Zheng Zu (o novo nome de Fu Manchu, que, por motivos de licenciamento, a Marvel não pode mais usar, salvo em certas republicações).
Na fase Marvel NOW, Shang Chi se juntou aos Vingadores e enfrentou uma ameaça extraterrena que lhe deu alguns superpoderes – a capacidade de criar duplicatas de si mesmo. No evento Guerras Secretas, ele ganhou uma minissérie de três partes, Battleworld – Master of Kung Fu. Atualmente, o herói está bastante ativo no Universo Marvel. Mas ainda distante do brilho de outrora.
A Panini Comics pretende relançar as aventuras clássicas de Shang Chi na Coleção Histórica Marvel ainda este ano.
Sérgio Codespoti é fã de Shang Chi, Punho de Ferro, Bruce Lee, Jet li e Sawamu, mas não é uma pessoa agressiva, prefere ver boas lutas no papel ou nas telas do cinema.

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Barragem se rompe e atinge cidades de pedro Alexandre e Coronel Jõa de Sá na Bahia

De acordo com a Defesa Civil, uma parte da barragem rompeu, nesta quinta (11), no topo e há outras rachaduras da estrutura que ainda podem ceder

Por; Kaique Dalapola, Plinio Aguiar e Fabíola Perez, do R7

Barragem se rompeu nesta quinta-feira (11), no interior da Bahia

A barragem do povoado de Quati, na cidade de Pedro Alexandre, a 435 km de Salvador, na Bahia, se rompeu na manhã desta quinta-feira (11) após chuvas que atingiram a região. O transbordamento atingiu o município vizinho Coronel João Sá. Juntas, as duas cidades têm aproximadamente 35 mil moradores.
Pelo menos três casas ficaram inundadas no município de Pedro Alexandre, e a cidade segue ilhada, de acordo com a coordenadora da Defesa Civil do município, Carla Leão. “O nível d'água já abaixou no povoado de Quati, mas a nossa maior preocupação é com a cidade de Coronel João Sá”, disse.
A Prefeitura de Pedro Alexandre decretou estado de emergência e calamidade pública, segundo decreto publicado no Diário Oficial do Município.
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De acordo com o superintendente técnico adjunto estadual da Defesa Civil, Vitor Gantois, devido ao alto volume de água, a barragem ultrapassou o limite e transbordou. “Ela está com as ombreiras vazando e com isso a água e lama chegaram ao município de Coronel João Sá”, afirmou.
Segundo Gantois, a retira das famílias de Coronel João Sá ocorreu após o aviso do rompimento da barragem. “Fazemos um apelo para que a população atenda aos alertas da Defesa Civil para que as pessoas deixem suas casas. É uma medida preventiva que precisa ser atentida”, diz o superintendente.
Barragem do Quati se rompe e atinge cidades da Bahia

Barragem do Quati se rompe e atinge cidades da Bahia

Divulgação Defesa Civil
Por meio das redes sociais, o prefeito de Coronel João Sá, Carlos Augusto Silveira Sobral (MDB), também pediu para que os moradores saíssem de suas casas, pois “não sabe ainda das consequências (do rompimento da barragem), porque nunca passamos por ela”. Disse, ainda, que “desde cedo está monitorando e falando com todos os secretários, justamente para tentar amenizar e ajudar no que for preciso”.
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A Prefeitura de Coronel João de Sá havia publicado, na página do Facebook, às 10h40, um aviso aos moradores. “Devido ao iminente risco de rompimento da barragem, as famílias que residem na margem do rio do Peixe deveriam ficar em estado de alerta”, dizia o comunicado.
Uma hora e meia depois, às 12h10, a prefeitura disponibilizou um número de emergência (75 9-9987-3416) para contato via WhatsApp. Escolas do município e quadras esportivas estão disponíveis para receber os moradores, informou o órgão.
A Defesa Civil do Estado da Bahia informou que enviou uma equipe para a cidade com o objetivo de reduzir os danos. A previsão é de que quando o nível da água comece a diminuir, as equipes comecem a atuar na estrutura.
A ANA (Agência Nacional de Águas) afirmou, por meio de nota, que a barragem Quati é de responsabilidade do governo da Bahia. Disse, também, que tomou conhecimento do rompimento, mas, por se tratar de um rio estadual, a “fiscalização desse açude não compete à ANA, e sim à autoridade competente no Estado da Bahia”.
O Ministério do Desenvolvimento Regional emitiu nota informando que às 13h59 de hoje foi enviado alerta pelas equipes do Cenad (Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres) via SMS para a população do local, reportando o risco de atingimento do município e recomendando a evacuação das áreas próximas ao rio.
O Corpo de Bombeiros de Paulo Afonso e as equipes da Defesa Civil estão sendo deslocadas para a região. Além disso, as equipes de monitoramento e operações do Cenad estão em contato com os agentes locais para avaliar a necessidade de apoio complementar por parte do governo federal.
As equipes estaduais estão preocupadas com o risco de chegada da onda de cheia à barragem do Gasparino, que possui grande reservatório de água e que já está com todas as comportas abertas.
Procurado pela reportagem, o governo da Bahia ainda não se pronunciou.
 *Com informações da Agência Brasil