OS ANOS 60-70 E A NOVA ERA DOS QUADRINHOS

Nossa jornada esta quase chegando ao fim.

A história em quadrinhos americana tem agora 70 anos. Durante cada uma de suas décadas nestes setenta anos, nós a vimos desfilar seu cortejo de imagens e de miragens, tecer sua tapeçaria de revelações e de ilusões. As gerações de artistas se sucederam, trazendo cada uma seu estilo, sua visão, seus preconceitos. Os gêneros se renovaram por ciclos e vogas passageiras, seus destinos conheceram as mais fantásticas flutuações. Ainda ontem, denegridos e atacados por todos os lados, os comics suscitam hoje uma paixão e um interesse extraordinários. Os psicólogos o analisam, os sociólogos os dissecam, os pintores tentam captar-lhes a essência e a força: a pop art, por exemplo, procura tratar a história em quadrinhos como um elemento constitutivo da paisagem contemporânea. A crítica, por muito tempo bitolada, vai aos poucos despertando para a compreensão de que a história em quadrinhos americana não é uma série incoerente de desenhos, mas a forma mais autêntica dos sonhos, das aspirações, das grandezas e das misérias do nosso século.

Por sua vez, os países latinos entraram em cena apresentando talvez os artistas cujo grafismo é o mais belo atualmente. Os sindicatos americanos obtiveram o concurso de vários desenhistas da América do Sul, sobretudo argentinos. O mais conhecido é José Luis Salinas, que fez no K.F.S. um notável western, Cisco Kid, caracterizado pela flexibilidade do traço e por uma brilhante técnica de achuriado. Bem menos conhecido, mas um grande desenhista, superior até a Salinas, cujo personagens são as vezes rebuscados, é Arturo Del Castillo. Ele também desenha western, Randall, cujo herói é um tipo alto e descontraído. Seu estilo leva a técnica do western quase à perfeição. Personagens brotam dos achuriados e dos negros profundos que dão as imagens uma textura de espantosa riqueza. Digno de nota também é o português Martin Sievre, que trabalha na Itália para a publicação francesa Vaillant; ele fez numerosas séries das quais a mais bela foi As Aventuras de Ragnar, o Viking (1956-66). Um estilo diferente e igualmente competente permitem-lhe não temer uma comparação com o Príncipe Valente, de Harold Foster. Na Itália, o delirante Jacovitti, verdadeiro fenômeno nacional exauriu seu estilo extravagante nas aventuras de Coco Bill; no desenho realista não faltam também: Hugo Pratt, que atua tanto na Itália como na Argentina, e autor de westerns, aventuras marítimas e exóticas, de grafismo cursivo e, ás vezes, poderoso; Mario Uggeri, di Gennaro; e sobretudo Dino Battaglia e Guido Crepax. Battaglia é autor de séries onde seu desenho brumoso, sabiamente impreciso, chega a sugerir outros mundos e existências além de nossa imaginação.

Na revista Linus, Crepax desenha Neutron, com grafismo preciso puramente branco e preto, diferente do estilo cursivo, impressionista de Battaglia, Uggeri e Pratt. Ele faz com sucesso uma história sofisticada, estranha, onde se entrega a pesquisas de técnicas narrativas, em particular, fragmentando ás vezes a ação ao extremo. Devemos confessar, a história em quadrinhos francesa e belga, ainda especializada em séries para crianças e jovens, não possui nenhum desenhista da envergadura de Castillo, de Jordan, de Wright, de Starr ou de Crepax. A menos que a rotina dos editores e do público, e o baixo salário, não os impeça de aparecer, como é o exemplo de Paul Gillon, cuja história 13, Rue de l´Espoir é adulta e de boa qualidade, mas que não apresenta nenhuma inovação em relação as histórias americanas. Por outro lado, Gillon é notável em Les Naufrages du Temps que apareceu numa publicação efêmera Chou-Chou, e Gigi em Scarlet Dream e Orion. As publicações francesas Coq Hardi e Valliant editaram algumas boas histórias se bem que o desenho não estivesse à altura do roteiro. Podemos citar, todavia, Jim Boum e Les Trois Mousquetaires du Maquis de Marijac, Nasdine Hodja desenhada por Bastard e depois por Le Guen, o Capitaine Cormoran e Fils de Chine de Gillon.

Desde 1959, Albert Uderzo e Rene Goscinny dão um tom deveras particular à tradição francesa das histórias em quadrinhos histórica: Vercingetorix, que com o tempo se tornou Asterix. Sobre o tema do homenzinho e seu companheiro gigante, Uderzo construiu essa história gaulesa que não aspira aos píncaros da arte gráfica mas vale pelo seu folclore rudimentar e cômico, por suas personagens bem tipificadas, pela sua coleção de piadas, desde os balões em hieróglifos até os anacronismos e outros achados do diálogo. Porém, um dos mais autênticos sucessos se situa no domínio legendário e poético em que reinam Peyot e Raymond Macherot. Este nos encanta com a evocação da região onde vivem o arganaz Chlorophyle, seu amigo Minimum, a lontra Torpille e seu inimigo, o rato negro Anthracite. Originalmente animais que vivam num mundo de seres humanos, esses personagens logo ganharam um mundo especial em que os seres humanos desapareceram deixando seus objetos, desde roupas até exércitos, incluindo cidades e automóveis. Com o passar do tempo o desenho mudou simultâneamente, os personagens tornaram-se distantes dos animais assim como Mickey Mouse o é de um rato verdadeiro. Macherot agora é um poeta do campo, das praias e subúrbios das pequenas cidades.

Peyot, após ter localizado na longínqua Idade Média o personagem de Johan, acrescentou-lhe Pirlouit, fantasista, farsante, uma espécie de Bibi Fricotin medieval bem divertido. No curso de suas aventuras legendárias eles descobrem um povo de anões: os Schtroumpfs. Os Schstroumpfs, conhecidos entre nós como Os Smurfs, logo se tornariam os heróis e donos de uma série independente. Pequeninos, de coloraçao azul e gorros brancos, os Schtroumpfs são os descendentes de todos os gnomos do folclore europeu. No centro de um país imaginário, entre as montanhas e o rio Schtroumpf, agrupam-se em casas construídas em cogumelos e atiram-se em suas obrigações, demonstradas fielmente em seus respectivos nomes: há o farsista, o comilão, o preguiçoso, etc. Não existe nada semelhante nos EUA e é com Peyot, Franquin e Macherot que a história em quadrinhos francesa tem os seus criadores mais originais.

A NOVA ERA DOS QUADRINHOS

Da metade dos anos 70 em diante, as histórias em quadrinhos, em nível mundial, elevaram-se tanto em fama quanto criatividade e se tornaram ícones culturais do novo século e sua atuação é explicitamente notada na arte e na música, largamente utilizada pelos disseminadores do movimento hippie e a contra-cultura flower-power. Um exemplo desta afirmação é encontrada nas capas dos discos de Janis Joplin, Cheap Trills, ricamente ilustrada por Robert Crumb, guru da contra cultura. Muitas das inovações dos anos 80 e 90 foram reflexos inteligentes das antigas séries de quadrinhos americanos e provaram que as fórmulas ancestrais ainda estão profundamente enraizadas na cultura da nona arte, incluindo também as histórias em quadrinhos japonesas conhecidas como mangá. Os mangás se tornaram, desde então, o único concorrente a altura do império de quadrinhos dominado pelos EUA, apesar de uma criação redundante e levemente banhada pelo ocidentalismo. A fórmula mágica da elevação do mangá para um status competitivo é quase que totalmente empenhada na produção visual das histórias. Absolutamente calcada na linguagem cinematográfica, os desenhistas japoneses inauguraram um show de perspectiva jamais visto antes em uma revista em quadrinhos, trabalhando retículas e arte-finalizações de uma maneira única e maravilhosa.

Após os novos ângulos e idealizações dos quadrinhos do Novo Mundo, a tecnologia emprestou recursos antes apenas sonhados pelos criadores. Centenas de tonalidades de cores e brilhos como se as revistas fossem pequenas televisores de papel. Os roteiros e personagens tornaram-se mais abertos, mesmo com a intervenção do Comics Code, e desfilaram pelas páginas grandes escritores como Alan Moore, Frank Miller, Neil Gaiman entre outros, com seus pesadelos e devaneios banhados em pura lógica. O ano 2000 ofereceu pérolas de inestimável valor e uma ótima espectativa para um futuro promissor, otimista e crescente. As histórias em quadrinhos,verdadeiros dinossauros vivos, enraizaram-se na cultura literária humana e, apesar dos altos e baixos, mostraram que estão longe de se tornarem obsoletas e estopins de uma geração inerte e sem cultura.
PEQUENO RESUMO DA ORIGEM DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS



Antes de tomar a sua atual forma nos Estados Unidos, a historia em quadrinhos foi prenunciada na Europa através de uma profusão de histórias em imagens, sem legendas ou ilustrando um texto, frequentemente hábeis produções de talentosos ilustradores, e largamente disseminadas pela imprensa e livros. A relação destas histórias em imagens com as histórias em quadrinhos é certa, sem dúvida mais que a influência das estampas de Epinal. Os dois grandes nomes são Topffer e Busch. Topffer devia influenciar diretamente Christophe e, com isso, dar origem à história em quadrinhos francesa. Busch encontra-se na origem da história em quadrinhos americana, criada por Hearst e Dirks.
Rodolphe Topffer 1799-1846 natural de Genebra, escritor, artista, professor da Universidade de Genebra, e autor de novelas e também de histórias em imagens, plenas de fantasia: as aventuras do Sr. Vieux-bois, do Sr. Cryptograme, do Sr. Jabot, reunidas, em 1846-47, sob o título Histoires em Estampes, tiveram grande sucesso e sua originalidade foi elogiada por Goethe. A narração é inteiramente figurada, as imagens numerosas, separadas verticalmente por um simples traço, colocadas sobre um breve texto. No fim de sua vida, a história em imagens se difundiu ainda mais com o Herr Piepmeyer de A. Schrodter 1848 e Monsi-eur Reac de Nadar 1848-49. Ela conheceu um grande impulso, na Alemanha, nos anos 1860-1870, graças a F. Steub 1844-1903 e principalmente a Wilhelm Busch 1832-1908. Busch e, de fato, menos achegado à história em quadrinhos que Topffer. Ele ilustra seus próprios poemas satíricos ou moralistas. O mais conhecido, Max und Moritz, conta as farsas e o fim atroz de dois garotos, e terá um grande papel –como inspiração e não como técnica – na gênese da história em quadrinhos americana. O "mal" humor de Busch é pesado e feroz, muito distante da fantasia de Topffer. Nos anos 1880, a história em imagens sem legendas invadiu as revistas francesas e tanto Caran d´Ache quanto Benjamin Rabier se destacaram neste gênero. Rabier terá uma longa carreira, especialista em álbuns de animais humorísticos para a juventude, ele está, no mais das vezes, a margem da histórias em quadrinhos.
Georges Colomb, que assinava Christophe, estabeleceu a fórmula que seria por muito tempo à da história em imagens européia, última experiência antes do surgimento da história em quadrinhos como seria criada nos Estados Unidos. Filho do diretor do colegio de Lure, pequena cidade do norte da França, Christophe ingressou na Escola Normal Superior em 1878, com Jaures, Bergson e Baudrillart. O gôsto pelo desenho fê-lo especializar-se em história natural. Após a sua saida do Normal, ele procura aumentar seu salário de professor com a venda de seus desenhos. Faz também histórias sem legendas e torna-se um colaborador frequênte do Petit Français Illustre, jornal para crianças. Embora venda seus desenhos, ele os faz para o seu filho e, quando este aprendeu a ler, introduziu a palavra em suas histórias.
O estilo de Christophe é muito superior ao que será produzido durante muito tempo por seus sucessores na história em quadrinhos francesa. Quase todos os seus desenhos mostram um notável encadeamento de movimentos de uma imagem ou outra. Ele sabe fragmentar a narração em pequenas imagens para expressar uma sucessão rapida de acontecimentos.
Acontece-lhe também de variar os formatos e empregar quadros alongados, dignos do cinemascope. A história é farta de achados narrativos: o agrupamento progressivo de uma multidão vista na vertical, nos Fenouillard, é um deles. Na mesma série, uma perseguição noturna no Japão é um modelo do gênero; notamos aí movimentos da lua que, de imagem em imagem, aparece cada vez mais alta por cima dos muros. Christophe pratica continuamente um contraponto irônico entre texto e imagem, onde a brutalidade do fato contrasta com a preciosidade da narrativa. Esse retraimento do narrador para com a ação cria às vezes, uma certa aparência de divertimento intelectual, único defeito da obra de Christophe.A Inglaterra pode também reinvidicar a invenção das histórias em quadrinhos com Ne´er-do-well Ally Sloper de W. F. Thomas, histórias em imagens, com um herói permanente, com legendas sob a imagem, surgida em 1884 e prosseguindo até 1920 com algumas interrupções. Após Ally Sloper apareceu Weary Willie and Tired Tim em 1896. Obra do desenhista Tom Brown, Weary Willie apareceu no jornal infantil Illustrated Chips e a fórmula era a mesma de Fenouillard: imagens sobre um texto muito copioso.
Antes de tomar a sua atual forma nos Estados Unidos, a historia em quadrinhos foi prenunciada na Europa através de uma profusão de histórias em imagens, sem legendas ou ilustrando um texto, frequentemente hábeis produções de talentosos ilustradores, e largamente disseminadas pela imprensa e livros. A relação destas histórias em imagens com as histórias em quadrinhos é certa, sem dúvida mais que a influência das estampas de Epinal. Os dois grandes nomes são Topffer e Busch. Topffer devia influenciar diretamente Christophe e, com isso, dar origem à história em quadrinhos francesa. Busch encontra-se na origem da história em quadrinhos americana, criada por Hearst e Dirks.
Rodolphe Topffer 1799-1846 natural de Genebra, escritor, artista, professor da Universidade de Genebra, e autor de novelas e também de histórias em imagens, plenas de fantasia: as aventuras do Sr. Vieux-bois, do Sr. Cryptograme, do Sr. Jabot, reunidas, em 1846-47, sob o título Histoires em Estampes, tiveram grande sucesso e sua originalidade foi elogiada por Goethe. A narração é inteiramente figurada, as imagens numerosas, separadas verticalmente por um simples traço, colocadas sobre um breve texto. No fim de sua vida, a história em imagens se difundiu ainda mais com o Herr Piepmeyer de A. Schrodter 1848 e Monsi-eur Reac de Nadar 1848-49. Ela conheceu um grande impulso, na Alemanha, nos anos 1860-1870, graças a F. Steub 1844-1903 e principalmente a Wilhelm Busch 1832-1908. Busch e, de fato, menos achegado à história em quadrinhos que Topffer. Ele ilustra seus próprios poemas satíricos ou moralistas. O mais conhecido, Max und Moritz, conta as farsas e o fim atroz de dois garotos, e terá um grande papel –como inspiração e não como técnica – na gênese da história em quadrinhos americana. O "mal" humor de Busch é pesado e feroz, muito distante da fantasia de Topffer. Nos anos 1880, a história em imagens sem legendas invadiu as revistas francesas e tanto Caran d´Ache quanto Benjamin Rabier se destacaram neste gênero. Rabier terá uma longa carreira, especialista em álbuns de animais humorísticos para a juventude, ele está, no mais das vezes, a margem da histórias em quadrinhos.
Georges Colomb, que assinava Christophe, estabeleceu a fórmula que seria por muito tempo à da história em imagens européia, última experiência antes do surgimento da história em quadrinhos como seria criada nos Estados Unidos. Filho do diretor do colegio de Lure, pequena cidade do norte da França, Christophe ingressou na Escola Normal Superior em 1878, com Jaures, Bergson e Baudrillart. O gôsto pelo desenho fê-lo especializar-se em história natural. Após a sua saida do Normal, ele procura aumentar seu salário de professor com a venda de seus desenhos. Faz também histórias sem legendas e torna-se um colaborador frequênte do Petit Français Illustre, jornal para crianças. Embora venda seus desenhos, ele os faz para o seu filho e, quando este aprendeu a ler, introduziu a palavra em suas histórias.
O estilo de Christophe é muito superior ao que será produzido durante muito tempo por seus sucessores na história em quadrinhos francesa. Quase todos os seus desenhos mostram um notável encadeamento de movimentos de uma imagem ou outra. Ele sabe fragmentar a narração em pequenas imagens para expressar uma sucessão rapida de acontecimentos.
Acontece-lhe também de variar os formatos e empregar quadros alongados, dignos do cinemascope. A história é farta de achados narrativos: o agrupamento progressivo de uma multidão vista na vertical, nos Fenouillard, é um deles. Na mesma série, uma perseguição noturna no Japão é um modelo do gênero; notamos aí movimentos da lua que, de imagem em imagem, aparece cada vez mais alta por cima dos muros. Christophe pratica continuamente um contraponto irônico entre texto e imagem, onde a brutalidade do fato contrasta com a preciosidade da narrativa. Esse retraimento do narrador para com a ação cria às vezes, uma certa aparência de divertimento intelectual, único defeito da obra de Christophe.A Inglaterra pode também reinvidicar a invenção das histórias em quadrinhos com Ne´er-do-well Ally Sloper de W. F. Thomas, histórias em imagens, com um herói permanente, com legendas sob a imagem, surgida em 1884 e prosseguindo até 1920 com algumas interrupções. Após Ally Sloper apareceu Weary Willie and Tired Tim em 1896. Obra do desenhista Tom Brown, Weary Willie apareceu no jornal infantil Illustrated Chips e a fórmula era a mesma de Fenouillard: imagens sobre um texto muito copioso.
Antes de tomar a sua atual forma nos Estados Unidos, a historia em quadrinhos foi prenunciada na Europa através de uma profusão de histórias em imagens, sem legendas ou ilustrando um texto, frequentemente hábeis produções de talentosos ilustradores, e largamente disseminadas pela imprensa e livros. A relação destas histórias em imagens com as histórias em quadrinhos é certa, sem dúvida mais que a influência das estampas de Epinal. Os dois grandes nomes são Topffer e Busch. Topffer devia influenciar diretamente Christophe e, com isso, dar origem à história em quadrinhos francesa. Busch encontra-se na origem da história em quadrinhos americana, criada por Hearst e Dirks.
Rodolphe Topffer 1799-1846 natural de Genebra, escritor, artista, professor da Universidade de Genebra, e autor de novelas e também de histórias em imagens, plenas de fantasia: as aventuras do Sr. Vieux-bois, do Sr. Cryptograme, do Sr. Jabot, reunidas, em 1846-47, sob o título Histoires em Estampes, tiveram grande sucesso e sua originalidade foi elogiada por Goethe. A narração é inteiramente figurada, as imagens numerosas, separadas verticalmente por um simples traço, colocadas sobre um breve texto. No fim de sua vida, a história em imagens se difundiu ainda mais com o Herr Piepmeyer de A. Schrodter 1848 e Monsi-eur Reac de Nadar 1848-49. Ela conheceu um grande impulso, na Alemanha, nos anos 1860-1870, graças a F. Steub 1844-1903 e principalmente a Wilhelm Busch 1832-1908. Busch e, de fato, menos achegado à história em quadrinhos que Topffer. Ele ilustra seus próprios poemas satíricos ou moralistas. O mais conhecido, Max und Moritz, conta as farsas e o fim atroz de dois garotos, e terá um grande papel –como inspiração e não como técnica – na gênese da história em quadrinhos americana. O "mal" humor de Busch é pesado e feroz, muito distante da fantasia de Topffer. Nos anos 1880, a história em imagens sem legendas invadiu as revistas francesas e tanto Caran d´Ache quanto Benjamin Rabier se destacaram neste gênero. Rabier terá uma longa carreira, especialista em álbuns de animais humorísticos para a juventude, ele está, no mais das vezes, a margem da histórias em quadrinhos.
Georges Colomb, que assinava Christophe, estabeleceu a fórmula que seria por muito tempo à da história em imagens européia, última experiência antes do surgimento da história em quadrinhos como seria criada nos Estados Unidos. Filho do diretor do colegio de Lure, pequena cidade do norte da França, Christophe ingressou na Escola Normal Superior em 1878, com Jaures, Bergson e Baudrillart. O gôsto pelo desenho fê-lo especializar-se em história natural. Após a sua saida do Normal, ele procura aumentar seu salário de professor com a venda de seus desenhos. Faz também histórias sem legendas e torna-se um colaborador frequênte do Petit Français Illustre, jornal para crianças. Embora venda seus desenhos, ele os faz para o seu filho e, quando este aprendeu a ler, introduziu a palavra em suas histórias.
O estilo de Christophe é muito superior ao que será produzido durante muito tempo por seus sucessores na história em quadrinhos francesa. Quase todos os seus desenhos mostram um notável encadeamento de movimentos de uma imagem ou outra. Ele sabe fragmentar a narração em pequenas imagens para expressar uma sucessão rapida de acontecimentos.
Acontece-lhe também de variar os formatos e empregar quadros alongados, dignos do cinemascope. A história é farta de achados narrativos: o agrupamento progressivo de uma multidão vista na vertical, nos Fenouillard, é um deles. Na mesma série, uma perseguição noturna no Japão é um modelo do gênero; notamos aí movimentos da lua que, de imagem em imagem, aparece cada vez mais alta por cima dos muros. Christophe pratica continuamente um contraponto irônico entre texto e imagem, onde a brutalidade do fato contrasta com a preciosidade da narrativa. Esse retraimento do narrador para com a ação cria às vezes, uma certa aparência de divertimento intelectual, único defeito da obra de Christophe.A Inglaterra pode também reinvidicar a invenção das histórias em quadrinhos com Ne´er-do-well Ally Sloper de W. F. Thomas, histórias em imagens, com um herói permanente, com legendas sob a imagem, surgida em 1884 e prosseguindo até 1920 com algumas interrupções. Após Ally Sloper apareceu Weary Willie and Tired Tim em 1896. Obra do desenhista Tom Brown, Weary Willie apareceu no jornal infantil Illustrated Chips e a fórmula era a mesma de Fenouillard: imagens sobre um texto muito copioso.

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